Morto neste sábado (10), aos 92 anos, Manoel Carlos Gonçalves de Almeida deixou uma marca definitiva na história da teledramaturgia nacional. Conhecido carinhosamente como Maneco, o autor, diretor e produtor foi responsável por algumas das novelas mais emblemáticas da TV brasileira, especialmente a partir da década de 1990.
Nascido em São Paulo, Manoel Carlos tornou-se conhecido por retratar com sensibilidade o cotidiano da burguesia carioca, tendo o Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, como cenário recorrente de suas histórias. Para o autor, o Rio possuía uma força simbólica capaz de dialogar com todo o país, característica que ajudou a consolidar o tom e a identidade de suas tramas.
Afastado da televisão desde a exibição de Em Família, em 2014, Maneco enfrentava problemas de saúde e havia sido diagnosticado com Parkinson há cerca de seis anos. Nos últimos tempos, dedicou-se à preservação de sua obra, confiando à filha Júlia Almeida a direção da produtora Boa Palavra, criada por ele e pela esposa, Elisabety, em meados dos anos 2000.
Entre os projetos mais recentes ligados ao seu legado está o documentário O Leblon de Manoel Carlos, lançado em setembro, que revisita os símbolos, os cenários e o olhar do autor sobre as relações humanas — elementos centrais de sua dramaturgia.
Uma trajetória pioneira na TV
Manoel Carlos iniciou a carreira ainda nos anos 1950, integrando o elenco do Grande Teatro Tupi, da extinta TV Tupi, ao lado de nomes que se tornariam referências do teatro e da televisão brasileira. Em 1952, escreveu sua primeira telenovela, Helena, adaptação do romance de Machado de Assis exibida pela TV Paulista.
Ao longo das décadas seguintes, transitou por diferentes emissoras, dirigindo, produzindo e escrevendo programas de sucesso. Na TV Record, esteve à frente de atrações como Família Trapo e programas musicais que marcaram época. Já na TV Globo, estreou em 1972 como diretor-geral do Fantástico.
Sua consolidação como autor de novelas veio em 1978, com Maria, Maria, seguida por A Sucessora. Em 1981, estreou no horário nobre com Baila Comigo, novela que apresentou ao público a primeira de suas protagonistas chamadas Helena — personagem que se tornaria uma verdadeira assinatura de suas obras.
As Helenas e os grandes sucessos
As Helenas de Manoel Carlos simbolizavam mulheres fortes, independentes e complexas, refletindo conflitos familiares, afetivos e sociais. A partir dos anos 1990, o autor emplacou uma sequência de grandes sucessos, como Felicidade, História de Amor, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Viver a Vida e Em Família.
Além das novelas, Maneco também assinou minisséries e seriados marcantes, como Presença de Anita e Maysa – Quando Fala o Coração. Seu trabalho mais recente na televisão foi a supervisão de texto da série Não se Apega, Não, exibida em 2015.
Com histórias ambientadas no Rio de Janeiro e personagens profundamente humanos, Manoel Carlos construiu um universo próprio na televisão brasileira. Sua obra permanece como referência para novas gerações de autores e como um retrato sensível das relações humanas no país.
















































