O ex-jogador de basquete Jason Collins morreu aos 47 anos após enfrentar um glioblastoma, tipo agressivo de câncer cerebral. Reconhecido como o primeiro atleta em atividade de uma grande liga profissional masculina dos Estados Unidos a assumir publicamente ser gay, Collins deixa um legado que ultrapassa as quadras da NBA.
A morte foi confirmada pela família em comunicado divulgado pela NBA. Na nota, os familiares afirmaram que o ex-pivô travou uma “corajosa batalha contra um glioblastoma”, doença diagnosticada em 2025.
No ano passado, Collins tornou público o problema de saúde e revelou que o tumor era considerado inoperável. Desde então, vinha realizando tratamentos para tentar conter o avanço da doença, incluindo o uso do medicamento Avastin e sessões de quimioterapia direcionada em Singapura.
O comissário da NBA, Adam Silver, lamentou a morte e destacou o impacto social do ex-atleta.
— Jason ajudou a transformar a NBA e o esporte em ambientes mais inclusivos e acolhedores para as próximas gerações. Seu legado vai muito além do basquete — afirmou Silver.
Diagnóstico e luta contra o glioblastoma
Collins contou que começou a investigar problemas de concentração e dificuldades cognitivas antes de descobrir o câncer. Em depoimento público, descreveu o glioblastoma como “um monstro com tentáculos espalhados pela parte inferior do cérebro”.
Segundo ele, os médicos informaram que, sem tratamento, sua expectativa de vida seria de apenas três meses.
Ao comentar o diagnóstico, o ex-jogador comparou o momento ao processo de assumir sua sexualidade, em 2013, quando decidiu falar abertamente sobre ser gay.
— A vida melhora quando você se apresenta ao mundo como realmente é, sem medo. Este sou eu e é isso que estou enfrentando — declarou na época.
Carreira histórica na NBA
Natural da Califórnia, Collins teve destaque no basquete universitário por Stanford University antes de iniciar carreira profissional na NBA, onde atuou durante 13 temporadas.
O auge da trajetória aconteceu no New Jersey Nets, equipe com a qual disputou finais consecutivas da Conferência Leste em 2002 e 2003.
Em 2013, Collins entrou para a história ao publicar um artigo na revista Sports Illustrated revelando sua orientação sexual. O texto começava com a frase: “Sou um pivô da NBA de 34 anos. Sou negro e sou gay”.
Meses depois, voltou às quadras pelo Brooklyn Nets, tornando-se o primeiro atleta assumidamente gay a disputar partidas em uma das quatro principais ligas esportivas dos Estados Unidos.
O Brooklyn Nets afirmou estar “de coração partido” com a morte do ex-jogador e ressaltou que Collins era admirado não apenas pelo talento esportivo, mas também pela generosidade e autenticidade.
Referência dentro e fora do esporte
Além da carreira nas quadras, Collins se tornou símbolo de representatividade para a comunidade LGBTQIA+ no esporte. Sua trajetória foi reconhecida internacionalmente, incluindo a presença na lista das 100 pessoas mais influentes da revista Time.
Ele encerrou a carreira na NBA em 2014, mas continuou sendo voz ativa em debates sobre inclusão e diversidade no esporte.
O que é o glioblastoma?
O glioblastoma, também conhecido como GBM, é o tipo mais comum de tumor cerebral maligno em adultos. A doença se desenvolve a partir dos astrócitos, células responsáveis por dar suporte aos neurônios.
Os sintomas variam de acordo com a região afetada do cérebro e podem incluir convulsões, perda de memória, dificuldade de fala, alterações visuais, problemas de equilíbrio e redução da força muscular.
Apesar dos avanços médicos, ainda não existe cura definitiva para o glioblastoma, embora tratamentos possam retardar a progressão do tumor.











































