Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviou, nesta quinta-feira (22), uma carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, cobrando explicações sobre suspeitas de tratamento desigual às campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais. Os congressistas também questionam se a empresa manteve conversas com integrantes do governo de Donald Trump sobre as eleições brasileiras.
O documento, divulgado no site oficial da deputada Pramila Jayapal, é assinado por 12 deputados democratas e pelo senador independente Bernie Sanders. A iniciativa reúne preocupações sobre possíveis interferências na distribuição de conteúdo político e a transparência das plataformas digitais durante o processo eleitoral brasileiro.
Segundo os parlamentares, há relatos de que serviços da Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp, teriam imposto restrições a conteúdos relacionados à campanha de Lula, enquanto publicações associadas à candidatura de Flávio Bolsonaro teriam recebido maior visibilidade.
Na avaliação dos congressistas, as empresas de tecnologia precisam assegurar condições equitativas aos candidatos, sem favorecimento motivado por suas posições políticas.
Falhas em anúncios e suspeitas sobre o alcance de publicações
Entre os episódios mencionados na carta está a desativação da conta de anúncios da campanha de Lula no Facebook, em 23 de setembro. Os parlamentares também citam uma restrição ao impulsionamento de publicações no Instagram, registrada entre os dias 9 e 10 de outubro.
De acordo com uma estimativa da campanha petista reproduzida no documento, o problema no Instagram teria impedido que anúncios alcançassem aproximadamente 1,3 milhão de pessoas.
A carta ainda menciona relatos de que funcionários da Meta teriam conhecimento de recomendações dos sistemas da empresa que beneficiariam o perfil de Flávio Bolsonaro e um canal de WhatsApp associado à candidatura.
Os congressistas pedem esclarecimentos sobre o funcionamento dos mecanismos de recomendação e moderação de conteúdo, além de informações que permitam avaliar se houve diferenças na aplicação das regras entre as campanhas.
Até o momento, as alegações apresentadas pelos parlamentares não constituem, por si só, uma comprovação de favorecimento deliberado por parte da empresa.
Congressistas questionam possíveis contatos com o governo Trump
Outro ponto central da carta envolve eventuais comunicações entre a Meta e integrantes do governo Trump a respeito do Judiciário brasileiro, da regulamentação das plataformas digitais, das eleições presidenciais de 2026 e da política dos Estados Unidos para o Brasil.
Os parlamentares querem acesso a registros de possíveis contatos, incluindo e-mails, mensagens, telefonemas e reuniões. O documento, porém, não afirma que essas comunicações tenham efetivamente ocorrido.
Ao todo, o grupo apresenta seis questionamentos à empresa e solicita informações detalhadas sobre suas decisões e procedimentos durante o período eleitoral.
Meta deverá explicar medidas adotadas após determinações do TSE
Os parlamentares também cobram esclarecimentos sobre as 17 medidas que a Meta informou ter implementado para cumprir determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre as providências citadas está a previsão de análise humana, em até duas horas, de eventuais restrições automáticas aplicadas às contas de anúncios das duas campanhas presidenciais.
O grupo solicita uma reunião com representantes da empresa nesta sexta-feira (23) e pede respostas formais até 4 de novembro. Também defende que um auditor independente tenha acesso a dados internos relacionados à moderação e à distribuição de conteúdo eleitoral, para avaliar a aplicação das regras.
Meta nega favorecimento e atribui episódios a falhas técnicas
Em comunicado divulgado em 16 de outubro, a Meta negou favorecer qualquer candidato na eleição brasileira e atribuiu os problemas identificados a falhas técnicas.
A companhia reconheceu que a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano, mas afirmou que a interrupção durou pouco mais de uma hora. Sobre o Instagram, a empresa declarou que uma falha global prejudicou temporariamente a criação de anúncios e afetou anunciantes em diferentes países.
Na terça-feira (20), a Meta informou ao TSE que havia adotado medidas para assegurar tratamento igualitário às campanhas.
Na mesma data, o Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente responsável por analisar determinadas decisões de moderação da empresa, apontou falhas recorrentes na aplicação das regras durante períodos eleitorais. O colegiado citou as restrições à conta de anúncios de Lula como um caso que deveria ter recebido avaliação especializada.
Pressão aumenta na reta final da eleição
A iniciativa dos parlamentares americanos ocorre a três dias do segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para domingo (25 de outubro).
A cobrança amplia a pressão internacional sobre a Meta em meio às discussões sobre o papel das plataformas digitais na circulação de informações políticas e na igualdade de condições entre candidatos.
O foco agora está nos esclarecimentos que a empresa apresentará sobre os episódios relatados, os critérios utilizados por seus sistemas de recomendação e moderação e a eventual existência de contatos com representantes do governo americano.
A apuração dessas questões será importante para determinar se os problemas decorreram exclusivamente de falhas técnicas ou se houve diferenças de tratamento que exigem medidas adicionais de transparência e responsabilização.











































