A CNN Brasil registrou um avanço significativo na audiência da TV por assinatura e passou a disputar a liderança com a GloboNews, em meio a mudanças no comportamento do público e a um momento delicado vivido pela concorrente provocado pelo ‘escândalo do PowerPoint’ do Estúdio i.
Dados consolidados de audiência apontam que, ao longo do mês de março, a CNN Brasil alcançou cerca de 11,1 milhões de telespectadores únicos no Painel Nacional de Televisão, indicador que considera o público das principais regiões metropolitanas do país dentro da TV paga.
No mesmo período, a GloboNews apresentou números muito próximos, com uma diferença mínima de público — cerca de 2% acima da rival —, o que configura um empate técnico na liderança entre os canais de notícias.
O desempenho representa uma virada importante para a CNN Brasil, que há um ano ocupava posições inferiores no ranking. Em comparação com março de 2025, o canal registrou crescimento expressivo de aproximadamente 25% na audiência.
Já a GloboNews, que se aproxima de completar 30 anos no ar, apresentou retração no mesmo intervalo, com queda de cerca de 12% no número de telespectadores.
Disputa mais equilibrada
O cenário atual evidencia uma competição mais acirrada entre os principais canais de notícias da TV por assinatura. Pela primeira vez, a liderança é compartilhada quando considerados exclusivamente os dados desse segmento.
Nos últimos anos, a CNN Brasil vinha ampliando sua presença ao apostar em múltiplas plataformas, como serviços digitais e televisores conectados, enquanto a GloboNews mantém distribuição concentrada na TV por assinatura e no streaming.
A nova configuração do ranking indica uma mudança relevante no consumo de notícias no país, com maior diversificação de fontes e crescimento da concorrência no setor.
O que é a crise do PowerPoint da GloboNews?
A exibição de um PowerPoint considerado impreciso no programa Estúdio i, da GloboNews, desencadeou uma crise interna na emissora e levantou questionamentos sobre os processos editoriais do canal.
O episódio ocorreu durante a apresentação de um gráfico que buscava mostrar conexões envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. No entanto, o material exibido foi alvo de críticas por conter informações consideradas incompletas, além de misturar diferentes tipos de relações sem critérios claros.
A repercussão negativa foi imediata, tanto entre o público quanto nos bastidores da emissora. Internamente, o caso passou a ser tratado como uma falha grave de checagem e controle editorial, já que o conteúdo teria sido finalizado pouco antes de ir ao ar, sem revisão adequada.
Pedido de desculpas e medidas internas
Diante da repercussão, a apresentadora Andréia Sadi fez um pedido de desculpas ao vivo, reconhecendo erros no material exibido. Segundo ela, o conteúdo estava “errado” e “incompleto”, além de não deixar claro os critérios utilizados na seleção das informações.
A jornalista também destacou que o infográfico misturou contatos institucionais com relações pessoais e informações sob investigação, o que contribuiu para a interpretação equivocada do público.
Após o ocorrido, a emissora chegou a editar a versão do programa disponibilizada no streaming, retirando o trecho com o PowerPoint e inserindo um aviso de correção.
Clima de tensão nos bastidores
O episódio gerou forte impacto interno e levou a uma série de discussões na redação. Relatos indicam um ambiente de pressão e possibilidade de mudanças na equipe responsável pela produção do material.
A direção da emissora também passou a revisar seus processos para evitar novos erros, incluindo maior rigor na aprovação de conteúdos gráficos e reforço na checagem de informações antes da exibição.
A crise evidencia os desafios enfrentados por canais de notícia em tempo real, especialmente diante da necessidade de conciliar agilidade com precisão — fator essencial para manter a credibilidade junto ao público.











































