A mãe de Eliza Samudio, Sônia Moura, comentou a decisão da Justiça que determinou um novo mandado de prisão contra o ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza. A medida foi tomada após a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro revogar o livramento condicional concedido ao ex-jogador.
A decisão, divulgada nesta sexta-feira (6), determina que Bruno volte a cumprir pena em regime semiaberto. Em entrevista, Sônia desabafou sobre o sentimento de indignação após anos de luta por justiça pela morte da filha.

“Ele pisa na cabeça da Justiça. Já fez muita coisa e ficou três anos sem atualizar o endereço, enquanto o oficial de Justiça tentava localizá-lo por causa da pensão”, afirmou.
Segundo ela, a família segue aguardando as próximas medidas das autoridades. “Vamos esperar para ver o que a Justiça vai fazer. Nós não podemos usar os mesmos meios que ele usa. Seguimos pelos caminhos legais”, declarou.
Condenação pelo assassinato de Eliza Samudio
Hoje com 41 anos, Bruno foi condenado a 23 anos de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010. O caso teve grande repercussão nacional e se tornou um dos crimes mais marcantes envolvendo violência contra a mulher no Brasil.
Sônia Moura sempre esteve à frente da busca por justiça pela filha e continua participando de ações e mobilizações sobre o tema. Ela confirmou que participará de um protesto contra o aumento dos casos de feminicídio marcado para o Dia Internacional da Mulher, neste domingo (8), na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro.
“Que a Justiça consiga olhar com mais empatia para os familiares que ficam. Nós ficamos marcados para sempre. Espero que não seja só no meu caso, mas em todos os outros”, afirmou.
Caso impulsionou debate sobre feminicídio
O assassinato de Eliza Samudio aconteceu antes da criação da Lei do Feminicídio, mas o crime ajudou a ampliar o debate sobre violência de gênero no país. A repercussão do caso reforçou discussões sobre proteção às mulheres e contribuiu para o fortalecimento de políticas públicas e legislação específica.
Sônia também lembrou que a condenação de Bruno ocorreu em 2013, próxima ao Dia Internacional da Mulher, e destacou o simbolismo da nova decisão judicial ter ocorrido novamente perto da mesma data.
Motivo da revogação do livramento condicional
A Justiça decidiu revogar o benefício após o descumprimento das condições impostas ao ex-goleiro. Poucos dias depois de conseguir o livramento condicional, no início de fevereiro, Bruno viajou para o estado do Acre sem autorização judicial.
A decisão contrariava a determinação de que ele não poderia deixar o estado do Rio de Janeiro.
Atualmente, o ex-jogador defendia o clube Vasco da Gama do Acre e também mantinha presença ativa nas redes sociais, onde divulgava sua rotina profissional. Após a divulgação da decisão judicial, suas contas foram apagadas.
Além disso, Bruno havia manifestado interesse em entrar na política e cogitava disputar uma eleição futura. Com a nova ordem de prisão e o prolongamento da pena, a possibilidade de candidatura fica ainda mais distante.











































