O jornalista, escritor e cronista Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos. O falecimento foi confirmado pela família e pela Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual ele era membro desde 2014.
Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir construiu uma carreira de mais de seis décadas no jornalismo. A causa da morte não foi divulgada oficialmente nas primeiras informações sobre o falecimento. Há relatos de que ele morreu em decorrência de uma pneumonia, mas essa informação não foi confirmada pela ABL nos comunicados consultados.
Carreira no jornalismo
Zuenir Ventura iniciou a trajetória profissional no jornalismo em 1956, como arquivista. Durante a carreira, passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo. Também atuou como professor universitário.
Na década de 1960, recebeu uma bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. Ao longo dos anos seguintes, ocupou diferentes funções de reportagem e chefia em redações brasileiras.
Em 1969, produziu para a Editora Abril uma série de reportagens sobre os anos 1960, posteriormente transformada em livro.
“1968 — O Ano que Não Terminou”
Um dos principais marcos de sua carreira literária foi o lançamento de “1968 — O Ano que Não Terminou”, em 1988. A obra revisita acontecimentos políticos, culturais e sociais daquele período no Brasil e se tornou um dos livros mais conhecidos do jornalista.
A publicação ultrapassou a marca de 400 mil exemplares vendidos e posteriormente inspirou a minissérie Anos Rebeldes, exibida pela TV Globo.
Outro trabalho de destaque foi “Cidade Partida”, lançado em 1994. O livro-reportagem abordou a violência e as desigualdades sociais no Rio de Janeiro e rendeu a Zuenir o Prêmio Jabuti de Reportagem.
Reportagens premiadas
Em 1989, Zuenir publicou uma série de reportagens sobre o líder seringueiro Chico Mendes e a região amazônica. O trabalho recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.
Ao longo da carreira, o jornalista também recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem e outras homenagens por sua atuação profissional.
Em 2008, recebeu uma homenagem da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no Brasil, segundo registros sobre sua trajetória profissional.
Academia Brasileira de Letras
Zuenir Ventura foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 30 de outubro de 2014, sucedendo o escritor Ariano Suassuna na Cadeira nº 32.
Na ABL, participou de atividades literárias e manteve produção de textos e artigos. A instituição registrava Zuenir como ocupante da Cadeira 32.
O jornalista era casado havia mais de seis décadas com Mary Ventura. O casal teve dois filhos, a editora Elisa Ventura e o jornalista Mauro Ventura.
Zuenir Ventura deixa uma trajetória marcada pelo jornalismo político e social, pela produção literária e por livros que registraram diferentes momentos da história recente do Brasil.












































