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MP pede pena de até 61 anos para apresentador acusado de desviar doações via Pix

Marcelo Castro é réu em processo que investiga suposto esquema de desvio de doações destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade

MP pede pena de até 61 anos para apresentador acusado de desviar doações via Pix
Reprodução

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) pediu à Justiça a condenação do apresentador Marcelo Castro, que comanda o Alô Juca na TV Aratu, parceiro do SBT na Bahia, à pena máxima, em regime fechado, por suposta participação em um esquema de desvio de doações realizadas via Pix. Caso a recomendação seja aceita, a pena pode chegar a 61 anos de prisão.

Castro é réu em um processo que investiga uma suposta organização criminosa responsável por desviar mais de R$ 500 mil em doações destinadas a pessoas que recebiam ajuda financeira após terem suas histórias divulgadas em programas de televisão.

O pedido de condenação foi apresentado pelo Ministério Público nas alegações finais do processo, etapa que antecede a sentença judicial.

MP aponta apresentador como principal beneficiário

De acordo com o Ministério Público, as investigações reuniram provas que apontariam Marcelo Castro como um dos principais beneficiários do suposto esquema.

No documento apresentado à Justiça, o órgão afirma que parte dos valores arrecadados não teria sido destinada às pessoas para as quais as campanhas haviam sido realizadas.

Segundo o MP-BA, os recursos teriam sido incorporados ao patrimônio dos investigados ou divididos entre integrantes do grupo.

O Ministério Público também sustenta que as movimentações financeiras teriam sido utilizadas para dificultar a identificação da origem dos valores e dar aparência legal aos recursos.

Além de Marcelo Castro, o MP-BA pediu a condenação de outras 11 pessoas por suposta participação na organização criminosa. Entre os denunciados está Jamerson Oliveira, apontado pela acusação como um dos principais parceiros de Castro no esquema.

O órgão também solicitou que os acusados sejam obrigados a pagar R$ 1 milhão em indenização por danos materiais às vítimas.

Apresentador nega participação

Marcelo Castro nega envolvimento com qualquer organização criminosa. Por meio de sua defesa, o apresentador afirmou que os valores arrecadados eram destinados às pessoas que solicitavam ajuda.

A defesa também representa Jamerson Oliveira, que, segundo as informações apresentadas no processo, não respondeu aos contatos realizados para comentar as acusações.

As alegações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas pela Justiça, que deverá decidir se os acusados serão condenados ou absolvidos.

Caso começou após doação de R$ 70 mil

A investigação teve início em 2023, depois que o jogador de futebol Anderson Talisca decidiu fazer uma doação de R$ 70 mil após assistir a uma reportagem sobre uma família que precisava de ajuda para custear o tratamento de saúde de uma criança.

O dinheiro seria destinado à família de Guilherme, uma criança de 1 ano que enfrentava um câncer e precisava de recursos para a compra de medicamentos.

Durante os contatos para realizar a doação, um assessor do jogador teria identificado uma divergência entre a chave Pix informada para o depósito e aquela que havia sido apresentada na televisão durante a reportagem.

A diferença chamou a atenção e levou à abertura de uma investigação sobre o destino das doações.

Mais de R$ 540 mil teriam sido arrecadados

Segundo as investigações, o suposto esquema teria movimentado mais de R$ 540 mil em doações.

O Ministério Público afirma que aproximadamente 75% desse valor, cerca de R$ 410 mil, teria sido desviado ou apropriado indevidamente. Outros R$ 135,9 mil teriam sido efetivamente repassados às pessoas que eram beneficiadas pelas campanhas.

O caso permanece em tramitação na Justiça da Bahia. A condenação solicitada pelo Ministério Público não representa uma decisão definitiva, cabendo ao Judiciário analisar as provas e os argumentos apresentados pelas partes antes de proferir a sentença.

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Diego Cartaxo é radialista, jornalista e empreendedor digital. Com trajetória marcada pela inovação na comunicação e no entretenimento, é fundador e Editor-chefe do Portal POP Mais, hoje considerado um dos principais veículos independentes de cultura pop e variedades em crescimento no Brasil. Antes do site, trabalhou na TV Metrópole, onde atuou na reestruturação da marca e da programação da emissora.

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