Páginas nas redes sociais com o nome e a imagem do influenciador Hytalo Santos continuam ativas e fazendo postagens publicitárias para sites de apostas ilegais, contrariando decisão da Justiça da Paraíba que determinou o bloqueio de suas contas e a desmonetização de todo o conteúdo.
A medida judicial contra Hytalo foi tomada após publicação do youtuber e humorista Felca, que associou o influenciador paraibano a suposta exploração sexual de menores de idade, ter viralizado. O youtuber também alertou sobre riscos de traumas psicológicos e a exploração de termos codificados como “trade” para compartilhamento ilegal de imagens.
Segundo apuração do G1, pelo menos seis postagens de promoção de bet ilegal foram feitas entre terça e quinta-feira em um perfil no Facebook que utiliza o nome e a foto de Hytalo. Outro perfil no Instagram, também não identificado como oficial, chegou a ser removido por solicitação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, responsável por monitorar e solicitar a retirada desse tipo de conteúdo.
A Secretaria confirmou ter identificado a publicidade ilegal e encaminhado o pedido de bloqueio das publicações. O órgão ressaltou que, ao encontrar irregularidades, aciona as redes sociais para remover o material ou suspender perfis, especialmente quando há promoção de bet não autorizada.
A persistência dessas postagens escancara o desafio das autoridades no combate ao mercado ilegal de apostas online, especialmente na categoria de cassinos virtuais. Dados de uma bet popular no país apontam que mais de 93% das apostas em cassinos online no país são feitas em jogos de slots, como o popular “jogo do tigrinho”.
Apesar de haver regulamentações recentes para as bets legalizadas, o apelo desse tipo de jogo, associado à promessa de ganhos rápidos, mantém viva a atuação de sites clandestinos, que muitas vezes se valem da popularidade de influenciadores para atingir novos apostadores.
Essas operações não autorizadas escapam ao controle fiscal e à aplicação de regras de jogo responsável, criando um ambiente propício para lavagem de dinheiro e aliciamento de públicos vulneráveis. Além disso, a falta de verificação robusta nas redes sociais facilita a disseminação de anúncios de plataformas de jogo não licenciadas, muitas vezes impulsionados por perfis falsos ou reaproveitados.
Operação contra influenciadores de bet ilegal
Hytalo não é caso isolado nessa relação com o jogo clandestino. No início desta semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Desfortuna, que incluiu nomes como Bia Miranda e outros 14 influenciadores. A investigação aponta que eles não divulgavam plataformas de bet ilegais.
Segundo a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), os influenciadores atuavam em conjunto com operadores financeiros e empresas de fachada, ostentando um padrão de vida incompatível com a renda declarada. O caso reforça a suspeita de que a publicidade de bets não autorizadas pelo governo muitas vezes está ligada a atividades criminosas organizadas.
Enquanto casos como esses se multiplicam, o Congresso Nacional discute mudanças legais para restringir propagandas de bets. Um projeto aprovado pelo Senado e que aguarda análise na Câmara dos Deputados proíbe que influenciadores, atletas e artistas participem de anúncios e campanhas das casas de apostas.
De autoria do senador Styvenson Valentim (PSDB-RN), a proposta também veta ações que apresentem o jogo como solução financeira ou caminho para enriquecimento rápido, além de impedir o uso de elementos atrativos ao público infantil. Caso aprovado, o texto deverá impactar diretamente o modelo de divulgação usado por influenciadores e patrocinadores.










































