O cineasta italiano Tinto Brass, conhecido mundialmente por dirigir o controverso filme Calígula (1979), morreu nesta quarta-feira (4), aos 93 anos. A informação foi confirmada por familiares à agência de notícias italiana Ansa.
Considerado um dos nomes mais provocadores do cinema europeu, Brass iniciou sua trajetória na década de 1960, na Itália, como diretor de produções experimentais. Ao longo da carreira, construiu uma filmografia marcada pela ousadia estética, pela sensualidade e por temas considerados polêmicos.
Além de Calígula, outro trabalho de destaque foi Todas as Mulheres Fazem (1992), uma releitura provocadora da ópera Così fan tutte, de Wolfgang Amadeus Mozart. O diretor também trabalhou com atrizes consagradas, como Helen Mirren e Vanessa Redgrave.
‘Calígula’ marcou sua trajetória no cinema
Lançado em 1979, Calígula tornou-se um dos filmes mais controversos da história do cinema. Com roteiro de Gore Vidal, a produção contou com Malcolm McDowell, conhecido por Laranja Mecânica, no papel do imperador romano. Helen Mirren e Peter O’Toole também integraram o elenco.
A obra apresenta uma visão provocadora do governo do imperador Calígula, retratando um universo de poder absoluto, luxo, violência e excessos sexuais.
A produção ficou ainda mais polêmica por causa da participação de Bob Guccione, fundador da revista Penthouse. Após as filmagens principais, Guccione acrescentou cenas explícitas de sexo ao material. A intervenção provocou desentendimentos com Brass e Gore Vidal, que retiraram seus nomes dos créditos da versão original.
Em entrevista coletiva realizada em Berlim, em 2020, Helen Mirren relembrou sua experiência no longa e classificou o trabalho como extraordinário.
“Eu adorava o caos e aquela espécie de anarquia radical”, afirmou a atriz ao comentar a produção.
Filme enfrentou censura no Brasil
A repercussão de Calígula ultrapassou as telas e provocou disputas judiciais e decisões de censura em diferentes países. No início da década de 1980, cópias do longa foram apreendidas no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Itália e também no Brasil, durante a ditadura militar.
No território brasileiro, a produção só foi liberada em 1982, após uma decisão do juiz federal Laurindo Minhoto Neto.
Uma década depois, em 1992, a emissora Organizações Martinez tentou exibir o filme em duas partes, durante a madrugada, na faixa chamada Tensão Total.
A primeira exibição alcançou 16 pontos de audiência. Entretanto, uma liminar judicial impediu a transmissão da segunda parte, após uma ação movida contra a emissora.
Versão restaurada chega ao streaming
Mesmo décadas após seu lançamento, Calígula continua despertando interesse e alimentando discussões sobre cinema, liberdade artística e censura.
Em 2023, uma versão restaurada, intitulada Calígula: O Corte Final, foi apresentada no Festival de Cannes. O projeto levou três anos para ser concluído e utilizou 96 horas de negativos originais.
A nova edição conta com uma introdução animada pelo artista Dave McKean e apresenta uma abordagem diferente da versão que ficou conhecida pelo conteúdo explícito e pelas controvérsias.
Segundo avaliação publicada pela Folha de S.Paulo, o resultado é consideravelmente menos escandaloso do que a fama construída em torno do filme original.
A partir desta quinta-feira (5), Calígula: O Corte Final estará disponível no catálogo da plataforma de streaming Filmelier+.










































