Jones Manoel, de 36 anos, é um dos novos nomes da política pernambucana que ganharam projeção nacional nos últimos anos. Historiador, escritor, professor e comunicador popular, ele foi eleito deputado federal por Pernambuco pelo PSOL nas eleições de 2026 com 249.077 votos, a segunda maior votação para a Câmara no estado.
Nascido no Recife, Jones cresceu na Favela da Borborema e construiu sua trajetória política ligada aos movimentos de esquerda e à militância comunista. Antes de chegar às urnas, ganhou notoriedade principalmente pela atuação nas redes sociais, onde publica análises sobre política, economia e questões relacionadas à classe trabalhadora.
Atualmente, Jones soma mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e centenas de milhares de inscritos no YouTube. A presença digital ajudou o historiador a alcançar um público que vai além dos tradicionais espaços da política partidária. Seus vídeos e participações em debates também fizeram com que ele se tornasse conhecido por confrontar e criticar representantes e ideias da direita.
Primeira experiência eleitoral
Apesar da projeção nas redes, a eleição de 2026 não foi a primeira tentativa de Jones Manoel na política. Em 2022, ele disputou o governo de Pernambuco, também pelo PSOL.
Quatro anos depois, decidiu concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Durante a campanha, apresentou-se como um candidato ligado à esquerda radical e defendeu a construção de um projeto político voltado aos trabalhadores.
Jones também já havia manifestado interesse em disputar a Presidência da República. Em entrevistas durante a campanha, afirmou que uma candidatura presidencial de caráter comunista poderia servir para aproximar a esquerda da juventude. Segundo ele, a candidatura à Câmara foi escolhida como uma forma de ampliar a presença e a organização desse campo político.
O que Jones Manoel defende
O novo deputado eleito se identifica como comunista e tem entre suas principais bandeiras a defesa dos serviços públicos, da classe trabalhadora e de mudanças na estrutura econômica do país.
Entre as propostas apresentadas por Jones estão a criação de um limite para os juros cobrados em operações de crédito, políticas de mobilidade para estudantes de universidades públicas e a retomada de setores considerados estratégicos pelo Estado.
Em Pernambuco, ele também defende a reversão da privatização da Compesa, companhia responsável pelo abastecimento de água e pelo saneamento no estado.
Outra característica anunciada para seu futuro mandato é a participação popular. Jones afirmou que pretende discutir a aplicação de emendas parlamentares por meio de plenárias realizadas em diferentes regiões de Pernambuco, incluindo o Agreste, o Sertão e a Zona da Mata.
Uma nova voz da esquerda nas redes
A ascensão de Jones Manoel acontece em um cenário de disputa cada vez maior pela atenção dos jovens nas redes sociais. O próprio historiador costuma defender que a esquerda precisa melhorar sua comunicação digital e apresentar propostas capazes de dialogar com problemas enfrentados pela nova geração.
Entre os temas abordados por ele estão desemprego, informalidade, endividamento, acesso à moradia e falta de perspectivas profissionais.
Jones também critica o modelo econômico brasileiro e associa parte das dificuldades enfrentadas pelos jovens à dependência econômica, à financeirização e à perda de espaço da indústria nacional.
Chegada ao Congresso
Com a eleição, Jones Manoel passa da condição de influenciador e militante político para a de parlamentar. Ele será um dos 25 deputados federais eleitos por Pernambuco para a legislatura que começa em fevereiro de 2027.
Sua votação ficou atrás apenas da de Pedro Campos (PSB), que recebeu 261.555 votos. Jones, portanto, foi responsável pela segunda maior votação para deputado federal no estado.
Após a confirmação da vitória, Jones afirmou que sua eleição representa a volta de um comunista ao Congresso Nacional depois de décadas. Também voltou a mencionar a possibilidade de disputar a Presidência da República no futuro.












































