Um relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou que o helicóptero envolvido no acidente que matou o cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas apresentava histórico de falhas elétricas recorrentes. O documento também aponta que o gravador de voz da cabine, conhecido como caixa-preta, não registrou o voo que terminou na queda, ocorrida em 21 de setembro, em Urubici, na Serra de Santa Catarina.
Divulgado em 21 de outubro, o relatório de 16 páginas reúne informações sobre as condições da aeronave, os relatos de manutenção e as circunstâncias meteorológicas na região do acidente. Apesar dos dados levantados, a investigação ainda não determinou as causas da queda.

Helicóptero apresentava falhas elétricas recorrentes
De acordo com o documento, um mecânico relatou ao Cenipa que o helicóptero apresentava falhas intermitentes nos geradores, equipamentos responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica à aeronave.
As intervenções realizadas na manutenção chegaram a melhorar temporariamente o funcionamento dos componentes, mas os problemas voltaram a ocorrer. Diante da persistência das falhas, o profissional recomendou que o helicóptero retornasse à oficina para uma investigação mais aprofundada. A nova avaliação, no entanto, ainda não havia sido realizada quando ocorreu o acidente.
O relatório também registra que algumas falhas teriam sido percebidas durante voos sob chuva ou em condições de nebulosidade. O mecânico, porém, afirmou que não foi possível estabelecer uma relação direta entre os problemas elétricos e a presença de umidade.
Outro ponto investigado envolve relatos de desligamentos do piloto automático em voos anteriores. Segundo as informações reunidas, os pilotos conseguiram manter o controle da aeronave nessas situações. Os registros de manutenção indicam que uma peça do sistema foi substituída em março, sem novos relatos da mesma anormalidade.
Caixa-preta não gravou o voo
O Cenipa também constatou que o gravador de voz da cabine não armazenou o áudio do voo que terminou no acidente. O equipamento instalado no helicóptero tinha capacidade para registrar 30 minutos de conversas e sons da cabine, mas não era obrigatório para aquela operação.
A ausência das gravações limita o acesso a possíveis informações sobre as comunicações entre os pilotos e os acontecimentos dentro da cabine nos momentos que antecederam a queda.
Mau tempo pode ter dificultado o voo
As condições meteorológicas na região também aparecem entre os pontos analisados pelos investigadores. As previsões indicavam chuva moderada, possibilidade de trovoadas, nuvens baixas e visibilidade reduzida a aproximadamente três quilômetros. Havia ainda a possibilidade de montanhas encobertas por nuvens na região da Serra Geral.
Imagens de câmeras de segurança próximas ao local do acidente mostraram uma redução da visibilidade. Um vídeo de 18 segundos, gravado por um morador, registrou o helicóptero seguindo em direção à área onde os destroços foram encontrados. Nos momentos finais das imagens, a aeronave aparece entrando em uma região de nebulosidade.
Conforme o relatório, o helicóptero atingiu uma encosta do Morro Convento dos Padres, na Serra da Boa Vista, a cerca de 1.686 metros de altitude.
Sinalizador de emergência é analisado
Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi o transmissor localizador de emergência da aeronave. Segundo o documento, o equipamento emitia um aviso sonoro entre os destroços, mas nenhum sinal de emergência foi detectado pelo sistema de busca aeronáutica. O dispositivo foi recolhido para exames.
O helicóptero, um Bell 430 de matrícula PP-MGR, havia decolado de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino a São Joaquim. A bordo estavam dois pilotos e três passageiros. Todas as cinco pessoas morreram na queda.
Apesar dos problemas relatados anteriormente, a aeronave estava com o certificado de aeronavegabilidade válido e os registros de manutenção atualizados, de acordo com o Cenipa.
Investigação continua
Os investigadores ainda analisam os motores e outros equipamentos recolhidos no local do acidente. O objetivo é reunir evidências que permitam esclarecer a sequência de acontecimentos e identificar os fatores que contribuíram para a queda.
O Cenipa ressalta que o relatório tem caráter preliminar e não determina as causas do acidente nem atribui responsabilidades. Nenhuma hipótese foi descartada até o momento, e as análises técnicas continuam em andamento.











































