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CRÍTICA | Inteligente e perspicaz, o novo álbum de Pabllo Vittar é parada obrigatória para fãs de pop

Nos últimos três anos, vimos um jovem maranhense se tornar um doa maiores nomes do pop nacional. Pabllo Vittar alçou vôos antes ditos como “impossíveis”, e nesse tempo, a outrora super criticada, calou a boca dos haters com produções cada vez mais elaboradas e com uma sonoridade ímpar, que se tornou sua marca registrada: o tecnobrega.

Nesta terça (24), após um golpe covarde de algum anônimo desocupado, Pabllo resolveu liberar a segunda parte do disco “111”. A decisão, que foi tomada após o vazamento do projeto, vem de frente a mais uma tentativa de boicote contra a artista.

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Corriqueiramente atacada, até por radialistas que se negam a tocar suas músicas nas emissoras, Vittar desferiu um golpe mortal, aliado a sua legião de fãs e admiradores. Estratégia inteligente, corajosa, ainda mais em uma época em que tudo e todos estão adiando seus projetos.

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Pabllo Vittar no clipe “Amor de Que”. (Foto: Ernna Cost)

Dito isso, vamos falar do álbum. Ouvi o “111” e logo de cara me espanto com a produção impecável do Rodrigo Gorky. Mesmo já tendo ouvido as primeiras faixas – lançadas anteriormente – experimentar a atmosfera da obra é uma outra vibe.

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Consagrada e na boca da galera, “Parabéns”, parceira com Psirico, é quem abre a tracklist. O disco faz referência a data de aniversário da cantora, e nada melhor que começar batendo palmas! Hino do carnaval, a faixa se alia à igualmente nordestina “Amor de Que” e dão um toque único à produção, onde você fatalmente irá tender a escolhe-las para mais um repeat.

O tecnobrega sempre presente nas produções da drag, aqui cede espaço para a música eletrônica. O batidão frenético de “Flash Pose”, primeiro single do projeto, soa como uma trilha sonora de um desfile da Vogue. O nome da música faz jus né?

Capa oficial de “Tímida” – Pablo Vittar e Thalia (Foto: Ernna Cost)

Outra faixa que expõe o lado versátil de Vittar é “Tímida”, parceria com a diva latina Thalia. A canção é quase uma trilha sonora da novela Maria de Bairro. Nostalgia, sem perder o ar modernista. Esse “Q” dos anos 90 teria se saído bem melhor como lead single do álbum.

Apesar de interessantes, duas faixas destoam tanto da sonoridade do “111”, que seria melhor nem incluir. Mas a própria Pabllo disse que o disco não segue um estilo único. Justificativa que cai como uma luva para “Lovezinho”, parceria com Ivete Sangalo e “Clima Quente”, feat. Jerry Smith. São boas para cantar, mas claramente aqui não é o seu lugar. Soou como enchimento de linguiça, nesse caso, de tracklist.

“Ponte Perra” faz jus ao amor de quenga e soa como um convite para a segunda parte. Não por isso ela era a track 4 e última do EP, quando Pabllo lançou a primeira parte. O erro foi tirá-la de perto da sua irmã “Amor de Que”. Com o disco completo, a faixa foi para a track 8, não que afete sua experiência como um todo, mas quebrou o conto em sequência que as letras das duas juntas trazia: uma garota independente e sensual que clama por amar livremente. Igualmente ótima e necessária é “Salvaje”.

A cereja do bolo, é também ousada! Uma música tão versátil, que cabe na balada, no rolê e em um culto evangélico. “Embebedada” na música eletrônica, “Rajadão” nasceu para alimentar memes e fazer a gente pensar. É um hino gospel natural! Perfeita! Ainda mais se ouvida em sequência com “Ponte Perra”. Soa como uma alfinetada em que apenas julga pessoas. A mais forte do “111” entre todas. Coroa de forma triunfal a tracklist, que ainda segue incompleta – Pabllo prometeu mais músicas em uma versão deluxe.

Manter a essência em um mar de mesmices, mas com inovação é um desafio que dita a vida ou morte artística hoje em dia. Pabllo definitivamente está de parabéns, e hoje vai comer o seu bolo inteiro por ter mostrado inteligência, perspicácia e coragem!

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