Pedofilia: Fundador da Casas Bahia e filho são acusados de crimes sexuais

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Uma reportagem veiculada na última quinta-feira (15) pela Pública, agência de jornalismo investigativo, traz uma série de revelações em que Samuel Klein, fundador da Casas e Bahia, e seu filho, Saul Klein, são acusados de diversos crimes sexuais, entre eles aliciamento de crianças e adolescentes, exploração sexual e estupro.

Intitulado “Caso K”, o artigo reúne relatos que expõem o esquema de exploração sexual de meninas entre 9 e 17 anos por parte de Samuel, dentro da sede das Casas Bahia, em São Caetano do Sul, São Paulo. O empresário também usava seus imóveis particulares no litoral paulista e carioca.

Samuel Klein - Imagem: Reprodução
Samuel Klein – Imagem: Reprodução

De acordo com a reportagem, as meninas eram transportadas de helicóptero até as residências do “rei do varejo”, como é conhecido, onde aconteciam festas e orgias. As vítimas eram silenciadas com dinheiro, produtos das lojas, e, em alguns casos, presentes de maior valor. As crianças e adolescentes aceitavam, pois, em sua maioria, eram de situação socioeconômica vulnerável.

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Havia uma equipe de funcionários que lidavam com recrutamento e organização das viagens dessas mulheres, tudo feito com base em um sistema.

A ideia de investigar o patriarca da família Klein surgiu após seu filho, Saul, ser acusado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) de aliciar e estuprar dezenas de mulheres. Como resultado, mais de 35 pessoas relataram os crimes, inclusive 26 mulheres que, quando menores, foram vítimas, e foi observado uma semelhança na forma como pai e filho agiam.

O caso veio a público apenas após a morte do varejista, que faleceu em 2014.

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As vítimas

A reportagem conta com os chocantes depoimentos de algumas mulheres, que ocultaram suas identidades em alguns casos. Neles são dados detalhes da forma como o empresário agia.

Agência Pública's tweet - "Conhecido como “rei do varejo”, o fundador das Casas  Bahia, Samuel Klein, passou anos sendo louvado como um empresário bem  sucedido. Mas a biografia oculta de Klein revela
Imagem: Reprodução/ Agência Pública

Dentre as vítimas, Karina Lopes, hoje com 40 anos, e a irmã Vanessa Carvalhal, relataram como foram atraídas pelo esquema de Klein, e dividiram que não foram as únicas da família, já que, na inocência, elas mesmas atraíam outras meninas com as quais tinham parentesco com a promessa de ganharem agrados.

“A gente ficava contente que tinha ganhado um tênis. Não tínhamos noção dessa situação de violência”, disse Karina.

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A relação abusiva gerou dependência financeira e psicológica. “Parece que a gente tinha a obrigação de fazer [atos sexuais] porque ele tinha dado dinheiro no dia anterior”, disse Vanessa Carvalhal à agência.

Outros relatos também explicitaram que, geralmente durante as festas, um grupo era recrutado e as meninas tinham de praticar sexo vaginal ou oral, muitas vezes sem preservativo.

Houve ainda quem contasse que, após o abuso sofrido, foi acometida de um grave sangramento e ainda assim lhe foi negado atendimento médico, sendo obrigada a após dois dias, ser exposta novamente ao abuso.

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Outras relatam como o perfil que ele construía de si próprio de uma pessoa boa era um empecilho para que outras pessoas acreditassem que houvesse algo de errado.

Todas as entrevistadas sustentam que Samuel preferia meninas menores de 18 anos.

As testemunhas

A Pública teve ainda acesso a 18 fontes, entre eles segurnaças, ex-funcionários, assistentes pessoais de Samuel, motoristas de taxi, advogados de mulheres que citam acordos extrajudiciais e vizinhos que confirmaram o esquema de aliciamento de abuso. Alguns deles ainda afirmam que não era apenas a matriz [das Casas Bahia] que forneciam as “recompensas” as garotas, algumas afiliadas também.

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Ex-colaboradores dizem que haviam pagamentos em dinheiro de forma frequente as “samuquetes”, que chegavam à R$ 3 mil. anto o pai quanto o filho usavam o caixa das lojas para financiar seus trabalhos sujos e cabia aos funcionários apenas seguir as ordens de pagamento, que geralmente vinham em um papel assinado pelo empresário.

Por estarem expostos como cúmplices a esses atos, muitos moveram processos contra a varejista alegando danos morais.

As acusações não reveladas de crimes sexuais de Samuel Klein, fundador da Casas  Bahia - Agência Pública
Imagem: Agência Pública

Saul Klein

“Algumas dessas pessoas também forneciam mulheres para o filho dele, Saul”, comenta Cláudia, uma das fontes da Pública.

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Saul chegou a ser tema de reportagem no Fantástico, que explovara a história de 30 mulheres que o acusaram de crimes sexuais.

As vítimas contaram à agência que a forma de agir de Saul era semelhante a do pai, com o mesmo esquema de aliciamento e perfil abusador. Uma das vítimas conta que certa vez passou mal por causa de uma bebida, e foi questionada se estava grávida, pois, caso estivesse, teria que abortar imediatamente.

“Saul Klein recebeu uma educação baseada na exploração sexual das mulheres, com o pior exemplo em casa. E, usando o poder social que o dinheiro lhe beneficia, replicou e especializou o modus operandi paterno para cometer as mais diversas atrocidades”, disse Gabriela, advogada de uma das moças submetidas às atrocidades de Saul Klein.

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O que diz a família?

Em nota, a família Klein se manifestou dizendo que lamentar que o patriarca não esteva vivo para se defender. “É com enorme tristeza que a família Klein tomou conhecimento da publicação de matéria sobre Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, falecido em 2014. É uma pena que ele não esteja vivo para se defender das acusações mencionadas.”

A reportagem completa da Pública você pode conferir aqui.

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