Liderado pela artista Yulmi, o projeto Garbage Garden, baseado em Kobe, no Japão, transita entre o rock alternativo, texturas eletrônicas e elementos de experimentação sonora para construir uma identidade marcada pela intensidade emocional e pela atmosfera cinematográfica.
A proposta do projeto parte de temas como memória, sobrevivência e reconstrução da própria identidade. Em suas composições, Yulmi transforma experiências pessoais e conflitos internos em paisagens sonoras que exploram a fragilidade das conexões humanas, a presença de “fantasmas digitais” e a busca por alguma forma de luz em meio aos escombros emocionais.
Ao mesmo tempo, Garbage Garden evita romantizar a dor. Em vez de transformar o sofrimento em um elemento estético ou idealizado, o projeto utiliza a música como espaço de enfrentamento, reconstrução e recuperação da própria voz.
Entre as faixas de maior destaque estão “busy. being. Real.”, “Self-luminescent”, “Close to Peace”, “Quiet Garden” e “Show Must Go On”. Juntas, elas ajudam a apresentar a diversidade sonora do projeto e sua capacidade de combinar melodias envolventes com arranjos eletrônicos e uma abordagem experimental.
O projeto também vem conquistando espaço nas plataformas digitais, reunindo uma audiência mensal de milhares de ouvintes e centenas de milhares de reproduções acumuladas. Suas músicas aparecem ainda em centenas de playlists, ampliando o alcance de uma sonoridade que transita entre o alternativo, o eletrônico e o experimental.
Um espelho quebrado em “emaN yM yaS”
Um dos trabalhos que melhor representa o universo conceitual de Garbage Garden é “emaN yM yaS”, uma faixa em inglês que utiliza a imagem de um espelho quebrado para abordar dependência, controle e apagamento da própria identidade.
A música combina elementos de synthpop, batidas eletrônicas e mudanças próximas ao dubstep, criando uma atmosfera azulada, melancólica e inquietante. Em vez de apostar em uma estrutura previsível e repetitiva, a composição se transforma continuamente, alternando melodias, dinâmicas e arranjos para acompanhar a crescente instabilidade emocional do narrador.
No centro da faixa está uma figura que parece depender do olhar de outra pessoa para confirmar a própria existência. O amor assume a forma de espelho, a adoração se transforma em aprisionamento e ser reconhecido pelo outro passa a representar, simultaneamente, uma necessidade e uma ameaça.
A tensão cresce à medida que a música avança, até que a imagem do espelho finalmente se desfaz. O reflexo que antes ajudava a definir o indivíduo começa a desaparecer, deixando no lugar uma pergunta sobre identidade, dependência e a possibilidade de existir sem a validação de outra pessoa.
É justamente nessa combinação entre beleza e desconforto que Garbage Garden encontra sua força. O projeto constrói músicas que podem soar íntimas e cinematográficas, mas que também carregam uma inquietação constante. São canções sobre aquilo que permanece depois do colapso — e sobre a tentativa de encontrar a própria luz entre os fragmentos.
Com uma identidade artística que une experimentação eletrônica, sensibilidade alternativa e narrativas emocionais densas, Garbage Garden apresenta um trabalho que transforma conflitos internos em experiências sonoras complexas, evitando respostas fáceis e deixando espaço para que cada ouvinte encontre seu próprio significado.











































