Quando Lucas Paquetá concretizou sua transferência de 36,5 milhões de libras do West Ham para o Flamengo em janeiro, o cenário parecia já estar traçado. Considerado por muitos o meio-campista mais criativo do Brasil atualmente, seu retorno ao clube da infância poderia posicioná-lo perfeitamente para uma vaga na Copa do Mundo, em um país onde cada participação na seleção nacional tem grande importância. Para quem fizesse uma aposta na Betfair nas opções do meio-campo brasileiro antes do inverno, Paquetá parecia um investimento seguro. A realidade, dois meses depois, tem sido consideravelmente mais complicada.
A contratação recorde que não correspondeu às expectativas
Paquetá se tornou a contratação mais cara da história do futebol sul-americano quando o Flamengo fechou um acordo com o West Ham. O valor da transferência, por si só, gerou enormes expectativas. Suas próprias palavras na chegada deram o tom do que se esperava que viesse a seguir: “Talvez o Flamengo não precisasse de mim, mas eu precisava do Flamengo.”
Foi uma frase que capturou a carga emocional da transferência, o desejo de voltar para casa, de se reconstruir após a exaustiva investigação sobre apostas que pairou sobre sua carreira no West Ham, e de dar um último empurrão para garantir uma vaga na Copa do Mundo.
Após quatro partidas no campeonato em sua segunda passagem pelo clube, nada disso se concretizou da maneira que se esperava. Ele não marcou gols nem deu assistências no Brasileirão. Sua taxa de sucesso nos dribles é de 60%, ele perde a posse de bola em média 13,8 vezes por jogo e venceu apenas metade de seus duelos terrestres.
O Lanús teve um prazer especial em zombar de seu preço após derrotar o Flamengo na final da Recopa Sul-Americana, postando que poderiam “abraçar o troféu 47 milhões de vezes”. A torcida do Flamengo também não tem sido indulgente, com grupos de torcedores divulgando declarações públicas condenando o desempenho da equipe e questionando uma política de transferências que, na opinião deles, prioriza grandes nomes em detrimento dos resultados.
A complicação de Filipe Luís
O retorno de Paquetá foi construído em parte em torno de sua relação com Filipe Luís, o técnico que havia pressionado fortemente nos bastidores para que a contratação se concretizasse. Essa base foi removida quase imediatamente.
Luis foi demitido em 3 de março, poucos dias depois de Paquetá ter entrado no ritmo de suas primeiras partidas oficiais. Leonardo Jardim, nomeado como sucessor, deixou Paquetá fora do time titular em sua estreia como técnico. O jogador mais caro da história do clube agora se vê tendo que se adaptar a um novo sistema sob um novo técnico que não tem lealdade estabelecida para com ele e nenhuma relação prévia para aproveitar.
Seus números no campeonato não contam toda a história de sua contribuição. No Carioca, o campeonato estadual do Rio, Paquetá mostrou mais de sua qualidade, marcando três gols em cinco partidas, incluindo dois na goleada de 8 a 0 sobre o Madureira. Mas, como o próprio ex-técnico do Flamengo, Luis, observou antes de sua saída, Paquetá está “sofrendo mais do que o esperado” no Brasil. A adaptação tem sido mais difícil e lenta do que o jogador ou o clube esperavam.
A exclusão da seleção brasileira
O momento não poderia ser pior. Com a convocação para a Copa do Mundo a ser anunciada em 18 de maio e os amistosos de março contra França e Croácia servindo como a última janela significativa para testes, Ancelotti deixou Paquetá totalmente de fora. A exclusão é particularmente marcante, considerando que o meio-campo do Brasil é uma das áreas mais enfraquecidas do elenco, com Bruno Guimarães ausente por lesão e a profundidade atrás dele limitada. Mesmo nessas circunstâncias, não havia espaço para Paquetá.
Para quem acompanha as apostas Brasileirão, o desempenho do Flamengo e o papel de Paquetá dentro da equipe nos próximos dois meses têm peso real. Ancelotti não fechou as portas. Na coletiva de imprensa de divulgação da convocação, ele foi direto ao assunto: “Hoje, por exemplo, Paquetá não está aqui, mas ele pode muito bem estar na seleção final e ter outra oportunidade. Aqueles que não estão aqui hoje podem estar na lista final, sem dúvida.”
O técnico também explicou que a ausência se deveu, em parte, à intenção de usar a janela de transferências para avaliar outras opções, especificamente Danilo, do Botafogo, e Gabriel Sara, do Galatasaray. Esse contexto ameniza um pouco o golpe, mas um jogador que precisava dessa janela para mostrar seu valor acabou assistindo-a passar de casa.
O que precisa mudar
O caminho de volta é claro, mesmo que não seja fácil. Paquetá precisa recuperar a forma sob o comando de Jardim, se firmar no sistema do Flamengo e apresentar o tipo de desempenho criativo e decisivo que o tornou um dos meio-campistas mais cobiçados do futebol europeu. Sua habilidade técnica não desapareceu. A visão de jogo, o drible e a capacidade de virar jogos em momentos decisivos permanecem intactos. O que falta é consistência, confiança e o tipo de conexão com os companheiros que só vem com o tempo.
A Copa do Mundo começa em 11 de junho. O tempo está passando, e a janela de oportunidade de Paquetá é mais estreita do que ele poderia imaginar quando disse que precisava do Flamengo há apenas seis semanas.











































