A atriz Isis Valverde revelou recentemente que foi internada três vezes em 2026 em decorrência da doença celíaca, condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten. O relato reacendeu o alerta sobre uma enfermidade que, apesar de conhecida, ainda é pouco diagnosticada no país.
A doença celíaca ocorre quando o organismo reage ao glúten — proteína presente no trigo, cevada e centeio — provocando uma resposta inflamatória que danifica o intestino delgado e prejudica a absorção de nutrientes essenciais. Em casos mais sensíveis, até pequenas quantidades de contaminação podem desencadear crises severas.
Segundo especialistas, a condição pode se manifestar de formas muito diferentes, o que dificulta o diagnóstico. Além dos sintomas gastrointestinais mais comuns, como dor abdominal, diarreia e distensão, também podem surgir anemia, fadiga intensa, dores de cabeça, alterações de pele e até sinais neurológicos.
Uma alergista e imunologista explica que muitos pacientes passam anos sem identificar a origem dos sintomas. Em parte dos casos, os sinais são confundidos com estresse, intolerâncias alimentares leves ou outros distúrbios digestivos, o que contribui para o atraso na investigação clínica.
Estimativas apontam que cerca de 80% das pessoas com doença celíaca ainda não sabem que têm a condição. No Brasil e em outros países, esse cenário é atribuído à diversidade de sintomas e à falta de reconhecimento da doença fora do eixo gastrointestinal.
O diagnóstico precoce é considerado essencial para evitar complicações como deficiência nutricional, osteoporose, infertilidade e maior risco de outras doenças autoimunes. O tratamento exige a exclusão total do glúten da dieta ao longo da vida.
Especialistas também alertam para a diferença entre doença celíaca, intolerância ao glúten e escolhas alimentares. A retirada do glúten sem avaliação médica pode dificultar o diagnóstico, já que exames específicos dependem da presença da substância no organismo.
O diagnóstico costuma envolver exames de sangue, avaliação clínica e, em alguns casos, biópsia do intestino delgado. Além disso, sintomas menos conhecidos — como irritabilidade, queda de cabelo, aftas recorrentes e dificuldade de concentração — também podem estar associados à condição.
Durante maio, mês de conscientização sobre a doença celíaca, profissionais de saúde reforçam a importância da informação para reduzir o número de casos não diagnosticados e incentivar a busca por avaliação médica adequada.








































