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ENTREVISTA | Jared Amarante fala sobre seu novo livro, “Ariel”

ENTREVISTA | Jared Amarante fala sobre seu novo livro, "Ariel"
Imagem: Joshua

Jared Amarante, autor de diversos livros, está lançando seu novo trabalho: “Ariel – a travessia de um príncipe trans e quilombola”. Sendo este, sua primeira obra focada no público infantojuvenil.

O Pop Mais teve o prazer de conversar com Jared, que contou um pouco da experiência de escrever um livro com essa temática e como é trazer esta representatividade dentro da literatura brasileira. Logo abaixo, você confere a entrevista completa:

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O tema transsexualidade é muito sensível e ainda uma espécie de tabu na sociedade. Como surgiu a ideia de abordar esse tema na obra?
Eu sempre fui apaixonado por unir literatura a questões sociais, então meus livros trazem esse olhar para as múltiplas emoções e situações que um humano pode passar nessa terra. Desde minha primeira história, publicada em 2012, eu já queria tocar em ‘assuntos tabus’. Quem acompanha meus livros, sabe disso. Porque se ninguém fala, se a arte não representa, como mudamos o mundo, então? Quanto a Ariel – a travessia de um príncipe trans e quilombola, eu o vi surgir em minha mente, primeiro, pelo desejo de ter um protagonista trans, porque é esse lugar de destaque que é negado as pessoas trans. Depois, por querer ter uma história lúdica, fantasiosa e que chegasse bem a muitos públicos, de forma leve, mas com profundidade nas causas. Além disso, lançar uma obra como essa, para mim, é também um ato de coragem e necessidade, porque estamos falando de um menino transexual, gordo e preto. E quem na sociedade quer exaltar esses corpos? Sendo assim, essa obra, como costumo dizer, é minha contribuição na luta antirracista e, também, uma denúncia de um mundo transfóbico e gordofóbico. Os corpos pretos, trans e gordos não estão mortos! Não os matemos!

A ideia do personagem ser quilombola surgiu de onde exatamente?
Eu levei mais de quatro anos para concluir esse livro, entre pesquisas, processo criativo, entrevistas, e demais fatores que contribuíram para toda estrutura da obra, inclusive para decidir sobre essa questão. E quanto ao personagem ser Quilombola, isso veio de um pensamento que eu poderia resumir em uma palavra: resistência! Porque sabemos que os quilombos são terras de luta, persistência e, mais do que tudo, de busca pela liberdade, pois o povo preto, africanos escravizados e afrodescendentes, criavam esses ambientes para se refugiar. E o mesmo acontece com Ariel. Ao ir para no Quilombocéu, que faço uma comparação ao céu (lugar onde todos somos iguais), ele se sente seguro, amado e respeitado, e em sua estadia é salvo da transfobia, da gordofobia e do racismo. Além disso, lá, é corado como um príncipe da paz. Outra coisa interessante, é que no livro há muitas referências de inspiração na culinária quilombola, então a ideia foi também apresentar uma obra que valorizasse essa ancestralidade, seus costumes e sentimentos.

Você conversou com amigos que se encaixam dentro do personagem? Ele é inspirado em alguém na vida real?
Ele é inspirado em cada pessoa trans, preta e gorda que tocou a minha existência e fez meu coração e mente se abrir para o que eu nunca sentiria na pele, mas que precisava falar. Mas, de uma forma geral, não tive uma inspiração específica em alguém, porém sempre convivi com pessoas pretas, trans e gordas, então ouvi-las foi o melhor laboratório criativo, além disso tem também os próprios homens e mulheres trans que entrevistei para este livro, cujos relatos estão depois da história e são palavras de muita coragem, ousadia, amor e fé.

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O livro conta com ilustrações feitas por Nathan Borges. Como essa parceria surgiu?
Eu sou apaixonado pela sensibilidade dele, e foi observando seu Instagram, onde posta seus trabalhos, que eu pensei que ele seria o ilustrador ideal para esta obra, não apenas por ser um homem trans, mas por colocar tanto talento no papel. Nossa parceria surgiu com muitas trocas de mensagens e depois já o apresentei o projeto. Ele aceitou na hora e iniciou todo o processo de produção. As ilustrações são muito diferentes do que vemos em muitos livros infantojuvenis, porque elas são fortes, imprevisíveis e doces ao mesmo tempo. É preciso olhar pra elas com o coração, e com certeza você vai se emocionar.

O processo de transição pode ser um pouco doloroso emocionalmente, devido aos estigmas da sociedade. Para você, qual o momento mais emocionante do livro?
Conversando com as pessoas trans, de fato, o processo de transição não é um jardim 100% florido, mas até que fique há muitos espinhos, na maioria deles vindo da família, da sociedade, da religião. Falar sobre o momento mais emocionante do livro é a pergunta mais difícil que você poderia me fazer (risos). Bom, mas vou tentar… Dentre muitos diálogos, um dos que mais me toca, é quando Ariel fica questionando o que é o amor, como ele surge nas pessoas. E então ele aprende, no Quilombocéu, que o amor é algo nos é ensinado, e por isso todo ser humano é capaz de aprender. Mas o racismo e o preconceito, quando alimentados, vai aniquilar esse amor e admiração para com esses corpos. Outra parte, também, é quando ele é coroado um príncipe, se reafirmando Ariel, ao invés de Ariele. Leiam o livro e conheçam essa travessia!

Para os leitores do Portal Pop Mais, o que você gostaria de dizer?
Que nunca deixemos de falar sobre nossas emoções, porque não somos uma gaveta para guardar as coisas que doem. Que nunca, em hipótese alguma, sejam coniventes como a transfobia, o racismo e a gordofobia. E se vemos alguém sendo diminuído, estamos fazendo a manutenção da opressão. Sejamos a diferença num país politicamente perdido!

O livro será lançado no próximo dia 30 pela Sympla Editora, onde o autor irá conversar via Zoom, com todos que tiverem realizado a compra do ingresso + livro, através do site da editora.

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