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Raquel e Jup do Bairro se unem em “História Mal Contada”, um hino blues rock sobre contradições e encontros

Primeira colaboração entre as gigantes da cena musical brasileira nasce de noite de poesia, caipirinhas e confissões no Largo do Arouche.

Um encontro que era questão de tempo. Os talentos de Raquel Virgínia (ex-As Baías) e Jup do Bairro se convergem no single “História Mal Contada”, faixa acompanhada por um visualizer produzido pela Mescla. Mais do que uma música, a canção se constrói como um manifesto roqueiro visceral, uma tatuagem sonora que atravessa hematomas emocionais, origens apagadas e versões distorcidas da realidade.

A faixa nasceu de um reencontro tão orgânico quanto potente. “A gente se encontrou e começou a beber caipirinha atrás de caipirinha. Entre um gole e outro, a poesia entrou em cena e um verso de Carlos Drummond de Andrade foi costurado às histórias pessoais das artistas, fazendo com que a poesia começasse a fluir. Desse caldeirão de vulnerabilidade e identificação, emergiu “História Mal Contada”.

A colaboração consuma uma admiração mútua que já dura quase uma década, atravessando as fases em que Raquel brilhava no As Baías e Jup na dupla com Linn da Quebrada. “É uma época muito oportuna”, reflete Raquel. “Ela lançou ‘Juízo Final’, eu lancei ‘Não Incendiei a Casa por Milagre’. Somos duas artistas trans negras, com histórias moldadas nas periferias de São Paulo. A gente tem várias convergências, e quando nos encontramos com mais tempo, a conversa fluiu para a canção”.

“Desde que a Raquel me convidou, fiquei pensando em como seria esse encontro. Nós sempre nos entendemos. Fomos amadurecendo em nossas carreiras solo e fiquei muito curiosa para saber como seria nosso reencontro na música. Já nos amávamos e tínhamos muita química. Viemos compor justamente no Arouche, para entender a cidade, nosso corpo nessa cidade, nessa bagunça, nos desejos aflorados. A necessidade de contar essa história alimentou essa canção. É nossa versão, dirigida a um anti-amor, a alguém que passou na nossa vida, mas, principalmente, a nós mesmos. Inventamos novas possibilidades e falamos sobre um amor que possa nos caber”, reflete Jup do Bairro.

“História Mal Contada” não é uma canção de amor romântico. É um blues-rock ácido que investiga as feridas que não cicatrizam e as narrativas que nos definem à nossa revelia. “Acho que a nossa própria origem já é uma história mal contada. A maioria das pessoas negras não conhece suas origens”, afirma Raquel, tocando no cerne da questão. “As pessoas trans também têm muitas histórias mal contadas. Essa música carrega isso.”

A letra é um inventário de “hematomas que você não deixa o outro em você” – marcas indeléveis que permanecem mesmo depois que a porta de um ciclo se fecha. “É sobre o quanto de histórias mal contadas existem sobre nossas vidas, sobre nossas comunidades”, explica a artista. “Tem muita coisa que a gente simplesmente escolhe fechar a porta e seguir. Mas a gente vai sempre carregar aquele hematoma. No final, quem vence dita a versão. O outro lado fica sempre com a história mal contada”, filosofa a compositora.

A opção por uma levada roqueira agressiva e envolvente é profundamente intencional. Para Raquel, o gênero é a tradução sonora mais fiel de seus estados de espírito. “A sonoridade da guitarra, da bateria, do baixo, essa explosão que o rock proporciona… hoje consigo traduzir melhor minhas sensações”, compartilha. “Estou com raiva das coisas. Sou melancólica, sou solitária. E o rock acaba sendo uma ótima linguagem para a solidão, para a raiva, para a melancolia.”

A apresentação no Sesc Pompeia traz um simbolismo a mais: força. Raquel admite que subir ao palco tem se tornado um ato cada vez mais carregado. “Cada vez tenho sentido mais dificuldade. Talvez porque tenha se tornado menos banal para mim. Hoje, carrego um peso técnico, conceitual, estético, sinto a pressão das cantoras que vieram antes, a pressão do público.”

Mas a oportunidade de dividir a noite com Jup e Jadsa é um antídoto contra a ansiedade. “Três artistas negras fazendo música é sempre motivo para festejar. Hoje, esse tipo de movimento não pode ser visto como casual. É um encontro potente num palco importante. Tem que virar festa.”

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Conteúdo produzido pela equipe de jornalismo do Portal POP Mais, sob supervisão editorial.

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