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ENTREVISTA | No Dia da Consciência Negra, Barroso lança álbum recheado de provocações sociais

Barroso
Foto: Guilherme Delazzari

Vendo Sonhos é mais do que um álbum musical. É a potência artística que quebra paredes, provoca, cura, incomoda, causa sensações. Embebido principalmente de música preta, o novo trabalho de Barroso nasce no Dia Nacional da Consciência Negra com a missão de elucidar questões como marginalidades, igualdade, cotidiano, sabedorias maternas, questionamentos existenciais, amor, LGBTfobia, machismo, xenofobia e misoginia. Barroso traz para sua carreira musical o tom interpretativo e de provocação social, cada vez mais urgentes na sociedade. Para compor fragmentos do novo trabalho, o artista trocou livros por histórias contadas pelos moradores e passantes do Fluxo em São Paulo, apelidado de Cracolândia, a partir dos questionamentos: O que é o amor? O que é a liberdade?

Obra prima do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, o poema dramático Morte e Vida Severina foi o principal catalisador para a concepção do álbum de Barroso, tendo como fonte a condição do retirante nordestino, sua morte social e sua miséria. Trechos da obra de João Cabral estão presentes em três faixas do disco: The Big Bang Theory e Coisas Mais, com clipe já lançado, Não Tenho Medo de Terra e Somos Muites Severines.

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Além da música e da literatura, a pluralidade cultural da obra também é percebida a partir de suas influências nas artes cênicas. Lançado pelo artista em parceria com a Estrogênia Produções e Laura Sciulli Produções, Vendo Sonhos tem 13 faixas divididas em quatro atos que traçam uma narrativa distópica: origem, amor, coragem e sabedoria. “Esse é um trabalho oferecido para a sociedade revisitar suas questões e se sensibilizar para o que é mais urgente. Quanto mais nos atentarmos à origem das coisas, mais poderemos ser pessoas conscientes e responsáveis. Só assim será possível enxergar o amor como um ímpeto natural da existência, a coragem como impulso para agir com o coração e a sabedoria como nosso único tesouro”, diz Barroso. O álbum, produzido pela produtora e selo independente Orelha Muda em parceria com Vicente Pizzutiello, conta com a participação de sua mãe, Lone Barroso, suas avós, além de Sarah Roston, Saullo, SóCIRO, andô, Ashira, Leyllah Diva Black, Malú Lomando, Victoria Saavedra, Selma Fernands, Marina Marchi, Lage, Belá Bacelar, Jasper Okan, Tassia Cabanas, Louise Helène, Olívia Mattos, entre outres artistas.

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Foto: Guilherme Delazzari

Com seu estilo alternativo e sua mistura contemporânea de elementos da música brasileira e rock black music, Barroso trilha sua caminhada musical pela sonoridade brasileira a partir de suas referências pessoais mais marcantes. O novo álbum, permeado por experimentações sonoras, recebe influências de maracatu, blues, repente, rap, rock, R&B, além de técnicas de lo-fi hip hop. Cinco inéditas chegam para compor o trabalho: Fala Comigo Doce Como a Chuva, Viciei no Remédio, Hoje é Tempo, Somos Muites Severines e Não Tenho Medo de Terra. Oito faixas foram lançadas anteriormente: Sonhos, Ato Três . Sabedoria, Ato Zero . Origem, Amor Livre, Infinito Blues, Ato Um . Amar (por Leyllah Diva Black), Ato Dois . Coragem (por Ashira) e The Big Bang Theory e Coisas Mais.

Atualmente, Barroso está no elenco da série Aruanas, no ar em diversos países após a exibição pela Rede Globo no Brasil em 2020. A série original da Globo e Maria Farinha Filmes traz Débora Falabella, Leandra Leal, Taís Araújo e Thainá Duarte como protagonistas. Recentemente, o artista foi um dos sete artistas brasileiros convidados para participar do Unfinished, festival multidisciplinar que acontece na Romênia há cinco anos. A partir de um espaço online inovador, a edição de 2020 contou com 60 participantes de 21 países, com destaque para a artista performática Marina Abramović.

O POP Mais conversou com o artista, que falou mais sobre o projeto e carreira.

Além de cantor, você também é compositor, ator e poeta! Conta pra nós, como iniciou sua carreira musical e como essas diferentes facetas contribuem para o seu trabalho na música?

Meus primeiros contatos com a música foram através de minhas raízes familiares no bairro Jardim Avenida e Jardim Evana na periferia de São Paulo, onde nasci e vivi até os meus 23 anos. Profissionalmente, a minha carreira musical começou de fato em 2017, com o lançamento do EP acústico “Enclausurado”. A partir daí, eu fui circulando por São Paulo e Rio de Janeiro com shows autorais no formato voz e violão, além de fazer parcerias para os meus canais e nos de outros artistas, gravando diversos covers e autorais com Rachell Luz, Saullo, Leyllah Diva Black, SóCIRO, Sarah Roston, Ashira, Malú Lomando, andô, Guilherme Moscardini e Tássia Cabanas entre outros. Em 2018 comecei a gravação do meu primeiro disco, “Vendo Sonhos”, com lançamentos deste acontecendo desde novembro de 2019. Ainda em 2018, fui convidado para participar do “Projeto Margem”- Edital VAI (SP), onde gravei um clipe acústico da minha música “Não Tenho Medo de Terra” e da minha poesia “Enclausurado” lançados em fevereiro de 2019 no canal do projeto no YouTube. Tudo o que eu faço como artista fortalece o meu criativo, a minha percepção. Tudo contribui para o meu trabalho na música. Tudo.

Você está lançando o álbum “Vendo Sonhos”, que foi inspirado na obra “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. Fala um pouco pra nós sobre a ideia central do poema e como surgiu a ideia da concepção do disco?

Obra prima do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, o poema dramático Morte e Vida Severina foi o principal catalisador para a concepção do álbum, tendo como fonte a condição do retirante nordestino, sua morte social e sua miséria. O poema simboliza pra mim esse lugar de retirante de si mesmo que todes somos. O tempo inteiro, nos cobramos em sermos melhores, conquistar objetivos, buscar um estado de paz, viver bem. Eu sigo nesse lugar de querer ser alguém melhor para mim, para o outro, para o mundo. Trechos da obra de João Cabral estão presentes em três faixas do disco: The Big Bang Theory e Coisas Mais, com clipe já lançado, Não Tenho Medo de Terra e Somos Muites Severines.

Foto: Guilherme Delazzari

Você escolheu lançar o álbum no Dia da Consciência Negra e ele tem tudo a ver com a data. Explica para os nossos leitores o porquê?

Então, até agora já lançamos alguns singles, oito clipes e um minidocumentário. Esse ciclo de lançamentos do projeto “Barroso Eus” se iniciou no mesmo dia só que há um ano atrás, em 2019. Esse dia simbólico é importante, poderoso e deve se manter mas é necessário lembrar que pessoas pretas amam e morrem todos os dias. Escolhemos reencontrar essa data para encerrar este ciclo de um ano, lembrando que o povo preto também ama, é inteligente, tem coragem, precisa de afeto e mais oportunidades. Existir hoje é abrir caminhos para que outros corpos plurais liderem o mundo.

Para a concepção das músicas, você utilizou fragmentos de histórias contadas pelos moradores e passantes da Cracolândia, em São Paulo, a partir dos questionamentos: “O que é o amor? O que é a liberdade?”. Como surgiu essa ideia e como foi essa experiência?

Em 2017 eu resolvi que iria dar um tempo no fazer teatral para investir nas minhas canções-poemas e no meu trabalho de ator no mercado audiovisual. Na época eu ainda trabalhava com eventos, como vendedor, garçom, barman em bares e restaurantes na cidade de São Paulo. Nesse mesmo ano eu fui convidado pela artista-amiga Joana Dória para um processo de pesquisa artística durante alguns dias no Fluxo, conhecido também como Cracolândia, no bairro do Bom Retiro em São Paulo. Muitos pensamentos me visitavam desde então e, em 2018, trabalhando como vendedor de sonhos em uma Sonheria, eu decidi que precisava voltar ao Fluxo, daquela vez sozinho, para recolher perguntas e respostas dos passantes/moradores da região. Durante um mês e meio depois do expediente, eu trocava de roupa e apenas com uma mala nas costas e alguns livros dentro, caminhava até o Fluxo uma vez por semana com os questionamentos: O que é sonhar? Ser livre? Amar? Preconceito? Coragem? Troquei livros por conversas com corpos plurais que transitavam naquele Fluxo e o processo disso vocês podem conferir no disco e nos clipes já lançados.

O álbum também tem uma forte influência das artes cênicas, já que as 13 faixas são divididas em quatro atos que traçam uma narrativa distópica. Quais são os temas de cada ato e o sentimento que você deseja provocar no público?

Vendo Sonhos tem 13 faixas divididas em quatro atos que traçam uma narrativa distópica: origem, amar, coragem e sabedoria. Esse é um trabalho oferecido para a sociedade revisitar suas questões e se sensibilizar para o que é mais urgente: ter consciência, respeito, responsabilidade e amor pela existência das coisas. Quanto mais nos atentarmos à origem das coisas, mais poderemos ser pessoas conscientes e responsáveis. Só assim será possível enxergar o amor como um ímpeto natural da existência, a coragem como impulso para agir com o coração e a sabedoria como nosso único tesouro. Sejamos eternos seres evolucionários!

O disco conta com a participação diversos artistas convidados, incluindo sua mãe e avós. Como foi esse processo e a escolha dessas pessoas que somaram no resultado da obra?

Ainda tem sido um processo de entendimento. Olhar para minha ancestralidade, sabedoria materna e amigues que me cercam, me fortalece. Me faz sentir um estado de graça e honra em ter pessoas como essas nesse disco. São mais de 38 vozes só na faixa 12. Essa pluralidade presente só afirma e potencializa os dizeres do disco. Sou eternamente grato a cada segundo desses encontros e somas. Nada se faz só.

Conta um pouco sobre o seu estilo musical e quais as referências presentes nas músicas?

Estilo alternativo, mistura contemporânea de elementos da música brasileira e rock black music, uma caminhada musical pela sonoridade brasileira a partir das minhas referências pessoais mais marcantes. Esse álbum que permeia por experimentações sonoras, recebe influências de maracatu, blues, repente, rap, rock, R&B, além de técnicas de lo-fi hip hop.

Hoje você está no elenco da série Aruanas, que foi exibida pela Rede Globo neste ano e está no ar em diversos países. Tem mais alguma novidade vindo por aí no universo da atuação? E como você faz para conciliar a carreira de ator com a música?

Sim! Em 2021 teremos outros lançamentos musicais (muitos), o lançamento da segunda temporada de Aruanas (Rede Globo), da série Novo Mundo Zoo (Discovery Kids) e do longa Vale Night (Fox Filmes e Querosene Filmes) nos cinemas. Por hora eu posso dizer isso. Ser ator e músico pra mim é em paralelo/complementar. Eu me organizo com agenda e tudo, senão um abraço (rs). A Flávia Mian (Estrogênia Produções) juntamente com a Laura Sciulli (Laura Sciulli Produções) me dão suporte executivo e artístico na música. Sem elas nada seria possível. E como ator, eu tenho o suporte das minhas agentes da CastingLab: Deborah Carvalho e Fernanda Ranieri. Com agendas compartilhadas a gente ajeita tudo pra não dar Bozo (rs).

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